domingo, 24 de novembro de 2013

ai que preguiça!

De acordo com a gramática do português contemporâneo de C. Cunha e L. Cintra: o futuro designa um fato ocorrido após o momento em que se fala.
Baseado nesse contexto, Borges Tigre engajou sua interpretação sobre um dos itens dos dez mandamentos: Não furtarás- prega o Decálogo e cada homem deixa para amanhã a observância engraçada do sétimo mandamento.
Conduta bastante comum: deixar para amanhã, porém um amanhã que estendeu-se por vinte e um anos na história do Brasil -precisamente de 1964 a 1985:
Apesar de você

Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
(Chico Buarque)

Chico Buarque, FRANCISCO BUARQUE DE HOLLANDA: acalentou os corações de milhares de pessoas com essa canção bem como estagnou a ação e fomentou a fé imóvel.
- Pois é Chico, esse amanhã tardou, tardou, tardou e, contudo, será que chegou?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Como é por dentro outra pessoa

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Escreverei um título no futuro

Por que me perco no caminho?
O que é a vida?
Penso, muitas vezes, sou eu comigo?
Quantas pessoas! Quantas hipóteses! Quantas! Qual!
Durante a madrugada a bruma dessa dúvida gela a minha dorsal,
andara, andara e andara demais por uma viela estreita:
- Ei, o que é a vida?;
Será que alguém a escuta? Digo ela, a escritora, a vida dentro da vida, a casa de Lispector, Giraldes, Saiure, Assis, Guarda, Sousa.
....

sábado, 26 de outubro de 2013

Ademais.

Foste borboleta pousada sobre minha pele;
minhas mãos ao ousarem fechar fizeram-na voar.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Relembrando uma passagem do filme O Auto da Compadecida:
''Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.''

Porque tudo que é vivo deixa saudade.